terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Salsichas a mais, a menos... fazem toda a diferença

Aninha sempre quis saber o que tinha em cima do balcão. Ela chegava todos os dias na padaria e pedia pro seu Joaquim três pães e três salsichas. De uns dias pra cá passou a pedir uma salsicha a menos.
Seu Joaquim ficou curioso, queria saber o motivo da redução de salsichas.
Um dia, na ponta dos pés, Aninha disse:
- Seu Joaquim, o que tem aí em cima do seu balcão?
E Seu Joaquim, esperto, respondeu:
- Só te conto se você disser por que agora compra três pães e duas salsichas!
- Mas eu perguntei primeiro. Disse Aninha.
- E eu sou mais velho! Retrucou o balconista.
Aninha pensou, pensou e disse:
- Me levanta, seu Joaquim, assim posso ver o que tem no balcão e te mostrar porque compro duas salsichas e três pães.
O velho bigodudo levantou a pequena Ana, que gritou:
- Eu sabia! Eu sabia!
- Sabia o quê, Aninha?
- Que podia conseguir enxergar seu balcão caso te deixasse tão curioso quanto ele me deixa todos os dias.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Me dá um tempo!

Ah, o tempo!
não me deixa tempo de
ler
ser
fazer

não me deixa tempo de
passear
cantar
jantar

não me deixa tempo nem de
rir
cair
sentir

Ah, o tempo!
se eu deixar, o tempo vai
e nunca vem
se eu deixar, o tempo passa
e eu fico sem

se eu deixar, o tempo faz
eu me perder
e envelheer sem ver,
morrer sem viver

Ah, o tempo
passa rápido, bem depressa
mas eu paro e falo:
- me espera, ou vai embora,
se não pode ser meu, sua eu não sou.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

meu herói

Nós não escolhemos dia para nascer, tampouco sabemos o dia que vamos morrer. Porém, tudo o que fazemos entre um e outro mostra a nos e ao outro quem somos.


Hoje quero contar a história de um grande homem, que nasceu pequenino como toda criança, em 16 de julho de 1925. O nome que seus pais lhe deram foi José Joaquim dos Santos, igual a muitos outros pequeninos nascidos por aí.

José foi crescendo, e quando o conheci ele já tinha 63 anos vividos e eu era sua neta. Na minha infância lembro de todo o mimo que dele recebia diariamente, eram muitos doces, bonecas, bolas, canetinhas... Quando fui crescendo ele me mimava e me educava, vibrava a cada conquista minha, fosse ela aprender a ler ou me formar no ensino médio.

Nunca o vi alterar o tom de voz, sempre calmo, preciso. Os olhos gritavam a cada erro que via, os braços cruzados indicavam “isso me envergonha”. O sorriso no rosto era marca registrada. Cabelos sempre penteados, barba feita... Um grande homem!

Tinha diversos costumes, um deles era ler uma velha coleção de enciclopédias que tinha lá em casa. Perguntasse pra ele qualquer coisa em algum daqueles fascículos que ele responderia. E se não soubesse, o mestre com humildade de aprendiz procuraria até encontrar.

Mas bem, ele também tinha um defeitinho, era são paulino roxo! Lembro das provocações tricolores que recebia quando o time dele enfrentava meu grande Palmeiras. Ele falava “eee parmera” e eu ria. Na Copa de 94 ele gritava na cobrança de pênaltis “vai que é tua Tafarel” e toda aquela torcida jamais saiu da minha cabeça.

Em época de eleição ele sempre me contava sobre política. Falava da Ditadura, dos movimentos estudantis. Na época do Collor foi ele que me contou o que estava acontecendo, e eu, sem saber bem o que era só me preocupava se ia ou não receber a minha mesada.

A casa que eu moro foi por ele construída, tijolo a tijolo. Lembro de todos os projetos de casas, prédios, cômodos que ele passava horas desenhando e depois viajava pra executar. Lembro que ele me falava sobre uma ponte pela qual sempre passava. Talvez eu passe por ela diariamente hoje e não faço idéia de qual é...

Com o passar dos anos este homem foi perdendo a saúde, parou de trabalhar e ficava em casa o dia inteiro. Quando eu chegava da escola lá estava ele pra me perguntar como tinha sido a aula. Me aconselhar a estudar, trabalhar e viajar bastante, porque em casa eram poucas as coisas que eu ia conhecer.

No último ano da sua vida, 2006, eu fazia cursinho pré-vestibular, trabalhava e estudava inglês, mas todas as noites quando chegava em casa ia fazer massagem em suas costas, mesmo sem saber. Minhas mãos procuravam tirar a dor que ele sentia, e por vezes parecia conseguir. Ele aproveitava a massagem até pegar no sono, mas sempre me dizia: “vai dormir filha, amanhã tem um dia cheio”...

Dias cheios eu tenho até hoje, cheios de saudade que são como a ar que respiro e a terra que me consome.

Se hoje ele estivesse vivo diria que a seleção do Dunga é uma piada. O preço da passagem de ônibus um assalto. Pãozinho vendido a quilo exploração. Crise nos Estados Unidos falta de administração. Se ele estivesse vivo hoje diria que antigamente a palavra de um homem valia, a saia da mulher a bunda cobria e freguês, com gosto o balconista atendia. Se ele estivesse vivo hoje me aconselharia a não trabalhar na Rede Globo (como se eles quisessem me contratar), a guardar dinheiro na poupança e levar sempre na bolsa um livro e um guarda-chuva, pois no trânsito de São Paulo é preciso distrair e com o temo do jeito que anda, melhor mesmo é se prevenir. Se ele estivesse vivo hoje seria ainda alguém a ouvir, a respeitar, a zelar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

.....

idéias que saltam da cebeça
vieram antes de um papel, olhar, avenida

ideais adaptados pra minha vida
são de alguém, em outra época, noutro lugar
mas são só meus, na minha época, no meu espaço, com meu olhar

a individualidade cedeu espaço pra coletividade
o coletivo veio de seres individuais
os individualismos se juntaram
formaram uma sociedade, formaram um indivíduo

aí veio eu, com idéias e ideais tão únicos quanto a individualidade coletiva daqueles com quem não convivo, e daqueles com quem vivo... únicos e influenciados, também influênciáveis

achar no meio disso tudo a minha própria vida é o que me fez viver

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mais um dia

Dormia o sono dos deuses, sonhava com os anjos, quando de repente o diabo do despertador toca. “A humanidade é desumana”, pensa ela, que num pulo só se vê escovando os dentes.