Uma historinha:
São Paulo, 04 de outubro de 2010. Primeiro dia da Era Tiririca.
18h30, aproximadamente. Faz frio na capital paulista. O trânsito está pesado, os ônibus lotados e as pessoas estressadas, pra variar.
Em pé num ônibus, penso em como pode um sujeito ouvir aquele pagodão naquela altura dentro de um transporte coletivo. Aquilo me irrita, me tira do sério. Eu sento, faço nada e fico ainda mais nervosa por não poder nada fazer.
Sentada, no mesmo ônibus, ouço outra "música" se aproximar. Dessa vez um funk "carioca", vindo do celular de um rapaz que acabara de entrar no coletivo. Mais uma vez eu nada posso fazer, e só penso em como eu queria não precisar estar ali.
Assim como eu, muitas pessoas se irritam com a barulheira dos celulares daqueles dois indivíduos. Uma mulher resolve fazer alguma coisa, mas ela, assim como os outros dois, não tem o mínimo senso de "sociedade" e grita com o rapaz do funk (que era negro):
- Ei, seu favelado, desliga essa p**** aí.
Ele, claro, não gosta e aí os dois sem razão partem pra uma discussão em nada interessante ou passível de resolver tal situação.
O circo estava armado e o cara do pagode se envolve, pega um estilete e diz que vai "furar o buxo" de um homem metido a machão que quis defender a mulher. Detalhe, a defesa dele foi dizendo que ia bater no rapaz do funk.
No final das contas, o machão desceu pela porta da frente. O do pagode guardou seu estilete e o do funk ficou transtornado.
Desço do ônibus tremendo, pensando mil coisas e ligo pro meu namorado. Ele me acalma. Mais uma vez eu penso que não queria viver em sociedade, ou pelo menos, não nessa.
Moral da história:Os supostamente bem educados, avançados e inteligentes seres humanos se comportam tal qual os supostamente mal educdos, atrasados e ignorantes primitivos e selvagens.
Desabafo pessoal
Bom, o que me irrita nisso tudo é o ciclo onde um não respeita o espaço dos outros (bem como o gosto musical ou por silêncio), o outro, querendo reivindicar seu direito de não ouvir o barulho alheio o ofende, usando para isso um problema social que é tido como defeito (o "ser" favelado). E aí ninguém tem razão, ninguém é inoscente.
Eu me canso disso. Meu lado mais radical torce para que todos se matem e sumam da minha frente o quanto antes. O lado mais deprê quer sumir de perto d'eles todos. O mais sensato, busca em textos e conversas esvaziar-me do mal que me faz viver assim, nesse clima de disputa, de violência, de desumanidade.
Sobre o uso de aparelhos sonoros nos ônibus
Certa vez, na faculdade, eu fiz uma reportagem para rádio sobre a lei municipal nº 6.681, de 1965. Bom, essa lei proíbe o uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus da capital paulista. (um dia posto a matéria aqui)
O que prevê a lei e a SPTrans?
Em relação aos ônibus e aos motoristas/cobradores:
1)Em todos eles deve estar afixado o adesivo que informa a proibição do uso de aparelhos sonoros, bem como o número da lei;
2) Motoristas e cobradores pegos ouvindo som no horário de trabalho, serão punidos.
Isso acontece?
Não. Primeiro porque a multa aplicada aos ônibus que não tiverem o tal adesivo afixado está cotada em cruzeiros (hahaha). Depois porque ninguém reclama dos motoristas e cobradores.
Em relação aos passageiros:
1)Que o sujeito que está ouvindo som alto e sem fone de ouvidos no ônibus seja advertido, pelo motorista ou pelo cobrador, a desligar o aparelho ou usar fones;
2) Caso o sujeito se negue a fazê-lo, deve ser convidado pelo cobrador ou pelo motorista, a se retirar do transporte;
3) Caso ele não saia, que venha a polícia!
Isso acontece?
Não. Os cobradores e motoristas não tem segurança para tomar tais atitudes. Os passageiros tem medo de se envolver, ou, como na nossa historinha real, se envolvem de forma indequada. A polícia nunca é acionada para esse tipo de confusão.
O que fazer?
Um Projeto de Lei que renove a lei municiapl nº 6.681/65 (geralmente não cabe a nós, pobres mortais);
Comprar um carro e tumultuar ainda mais o trânsito;
Se trancar em casa.
1 comentários:
Ai ai ai pra os problemas sociais pouco existe de solução!! Bom senso, educação e se por no lugar do outro são princípios esquecidos pela atual sociedade.
Num é a primeira vez que seremos vítimas destas situações e com palhaços como políticos duvido que seja a ultima.
Espero que vc tenha sorte nas próximas viagens, pois é o que nós simples humanos podemos contar.
Bjs
Edilania
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