-Ahá, te peguei. (Entrou na cozinha ela)
- Epa, não pegou nada não. (Colocou ele pra trás as mãos)
- Então por que esconde as mãos?
- Por que escondo? Não tô escondendo. É que...
- Vai, deixe-me vê-las.
- Tá bem, olha aqui, essa é a...
- As duas, quero ver as duas!
- Por que quer tanto ver minhas mãos?
- Pra confirmar o meu flagrante!
- Mas que flagrante?
- Você roubou meu pão.
- Pão?
- É, me dá o pão!
- Não era a mão?
- Ah, tanto faz.
- Mas pera aí, o que a senhora faz na cozinha a essa hora?
- Ouvi um barulho.
- E como sabia do pão?
- Fui eu que comprei e guardei aí.
- Mas e sua dieta, meu bem?
- Me chamou de gorda?
- Não, mas vive dizendo que está de dieta.
- Estou, mas porque quero. Me passa o pão.
- Tá bom, tá bom. Me dá uma mordida?
- Ui, é claro, aonde quer?
- Do pão, querida, do pão.
- Pode ser na mão?
- Não.
- Mas quando pedi o pão, queria me mostrar a mão.
- Não queria. Você me obrigou.
- E você não mostrou. Mostra!
- Aqui.
- Cadê a aliança? (Ela abre a boca pra morder o pão)
- Não morde, querida, não morde!
- Não quero morder sua mão.
- O pão, não morde, só pode estar no...
- Vou perguntar pela última vez, ca-dê a sua aliança? (mordeu o pão)
- Achou?
- Te peguei, seu safado!
- Não pegou não. Posso explicar tudo.
- Explica, explica. (ela continuou comendo o pão)
- Quando fui pegar o pão a aliança estava aqui, eu juro. Ela só pode estar no pão.
- Não estava!
- Será que engoliu minha aliança?
- Não, só comi o pão. Que por sinal, estava ótimo.
- E cadê minha aliança?
- Te peguei!Tá na sua mão. Hahaha.
- Tá, me pegou. Vamos fazer um lanchinho?
- Estou de dieta. Vamos dormir, meu bonitão.
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